terça-feira, 17 de agosto de 2010

ANOS DE AUSÊNCIA

Há 24 anos que o dia 17 de agosto tem sido uma data de muita saudade para a família Reis e, creio, também para a comunidade de Santo Antônio da Patrulha.
Naquele domingo, sombrio e gelado como os dias invernais de sua terra natal São Francisco de Paula, partiu rumo à Estância Celestial o tradicionalista e líder comunitário Jarcy Cândido dos Reis, meu querido pai, a quem dedico minha eterna saudade. Extremamente dinâmico, enquanto com saúde, o “velho Jarcy“ participou ativamente de diversos movimentos que, direta ou indiretamente, promoveram o bem estar do povo patrulhense. Bem relacionado, contava com a amizade sincera de inúmeras pessoas, desde as mais humildes até aquelas que ocupavam cargos e posições mais destacadas. Suas iniciativas em prol da coletividade, se enumeradas, certamente não caberiam nesta página, porém, faz-se mister que eu relembre o importante papel que ele desempenhou na propalação da cultura gaúcha não só em Santo Antônio, como de resto nos demais municípios do litoral norte gaúcho.
Fundador do C.T.G. Cel. Chico Borges, integrou sua patronagem por diversas ocasiões. E foi justamente no período em que exercia o cargo de Patrão da entidade que surgiram os primeiros indícios da enfermidade que acabou por levá-lo de nós. Mesmo doente desempenhou também, com inegável competência, as funções de Coordenador da 23ª Região Tradicionalista do MTG, por três períodos consecutivos. Em 1981, perdeu totalmente a visão, mesmo assim, não deixou de participar dos eventos tradicionalistas de Santo Antônio, sempre conduzido pela sua eterna companheira Maria que, além de esposa, passaria a ser, a partir daquele infortúnio, os olhos que o guiariam pela escuridão que invadiu o limiar de sua vida. Laureado no ano de 1982 com o título de Cidadão Patrulhense, honraria concedida pelo Poder Legislativo de Santo Antônio, meu pai, Jarcy Cândido dos Reis, faleceu quatro anos depois, aos 63 anos de idade.
Desde então tem sido alvo de várias homenagens. Hoje meu pai é nome de Sala, de Biblioteca, de Rua e de um Troféu oferecido pela Moenda da Canção aos melhores letristas do festival.
Todas estas razões já seriam suficientes para qualquer filho orgulhar-se de um pai com esta trajetória de vida, porém, o que realmente marcou a minha existência e certamente as de meus dois irmãos, Dalva e Pedro, foi a postura ilibada como homem, chefe de família, amigo e pai inesquecível.
Por estes motivos, a cada agosto, me bate uma insuportável angústia por estes anos de ausência.

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